Antes de tudo, criar um produto zero açúcar vai muito além de simplesmente retirar a sacarose da formulação. O açúcar exerce múltiplas funções tecnológicas: adiciona dulçor, corpo, viscosidade, volume, cor, além de atuar na conservação ao reduzir atividade de água. Portanto, ao desenvolver um produto zero açúcar, o primeiro passo é entender qual o papel funcional do açúcar naquele sistema específico — seja em bebida, biscoito, cereal extrusado ou sobremesa — para então substituir cada função de maneira estratégica e não apenas o dulçor.
Ainda assim, a escolha dos edulcorantes é um ponto crítico (temos um blog falando sobre esse tema, clique aqui para ver). A combinação de diferentes adoçantes costuma gerar melhor perfil sensorial do que o uso isolado. Já que edulcorantes de alta intensidade, como estévia ou sucralose, oferecem grande poder adoçante com baixo impacto calórico, mas podem apresentar residual amargo ou metálico. Por outro lado, os polióis como eritritol contribuem com volume e sensação de boca mais próxima do açúcar. O segredo está na sinergia: blends equilibrados reduzem defeitos sensoriais e aproximam o sabor final do padrão esperado pelo consumidor.

Assim também, outro aspecto fundamental é a construção de corpo e textura. A retirada do açúcar pode deixar o produto “ralo”, seco ou menos estruturado. Para compensar, pode-se utilizar fibras solúveis (como inulina ou polidextrose), hidrocolóides (goma xantana, carragena, pectina) ou proteínas, dependendo da categoria. Em produtos extrusados, por exemplo, a ausência de açúcar pode alterar expansão e crocância, exigindo ajustes de umidade, temperatura e teor de amido na formulação. Já em bebidas, o balanço entre acidez e dulçor precisa ser recalibrado para evitar perfil excessivamente ácido.
Igualmente, o equilíbrio sensorial também depende de ajustes finos na matriz aromática. O açúcar mascara notas amargas e realça aromas; sem ele, falhas sensoriais ficam mais evidentes. Por isso, muitas formulações zero açúcar exigem reforço aromático, ajuste de acidulantes e até pequenas quantidades de sal para realçar sabor. Assim como, testes triangulares e análises sensoriais comparativas com o produto padrão são essenciais para validar aceitação e reduzir risco de rejeição no mercado.

Enfim, formular um produto zero açúcar bem-sucedido exige abordagem técnica integrada: conhecimento de ingredientes, entendimento de processo industrial e validação sensorial estruturada. Quando bem desenvolvido, o produto não deve ser percebido como “substituto”, mas sim como uma opção igualmente prazerosa e alinhada às tendências de saúde e redução de açúcar. Dessa forma, o diferencial competitivo está justamente em entregar experiência sensorial equivalente — ou até superior — ao produto convencional.
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